quinta-feira, outubro 27, 2005

Dois

Eu odeio escrever ou falar sobre politica. O problema é que a maioria das pessoas, quando se trata de politica, nao pensa, soh adere ao papai (raramente à mamae) à televisao, ao jornal e ao professor. E quando a pessoa se depara com argumentos decentes, nem para pra pensar, só refuta sem saber porque. Mas enfim. Eu resolvi postar mesmo assim. Mas lembro os senhores que nao é uma redação estilo fuvest, eu ainda me sinto no direito de escrever como eu bem entendo , segundo as não-regras que eu já postei no "The Blog Generation" (procure no arquivo se ainda não leu).

Eu votei dois. Eu, assim como você, recebi os e-mails descrevendo a opressão moral e política que constitui desarmar a população e comparações entre governos que o fizeram. Eu, como você, li a revista Veja (tendo também, como você, o conhecimento de que o dono da folha é exportador de armas). Eu, assim como você, sei do interesse que os Estados Unidos têm em proibir o comercio de armas aqui, pois isso impediria a exportação de armas do Brasil (um dos maiores exportadores de armas leves para os EUA). Mas as semelhanças também não param por aí. Eu também fui partidário ferrenho do um. Mas eu mudei de idéia.
Toda a filosofia do ‘um’ gira em torno da realidade maniqueísta que divide o mundo entre “bandidos X cidadãos-de-bem”. Não quer dizer que todos pensem nessas palavras, eu sempre achei isso ridículo mesmo quando era partidário do um. Mas de alguma forma, é indiretamente nisso que se baseia o raciocínio. Todo mundo sabe que não fará diferença na pratica para a maioria da população, mesmo porque já fizeram medidas provisórias que resolveram as possíveis diferenças que a votação poderia fazer. Todo mundo sabe que “bandido” só compra arma ilegal. Na verdade, cidadão de bem também compra arma ilegal, mas enfim.
É ridículo achar que a questão diz respeito a especificamente se você vai votar no “direito à vida” ou contra “o desarmamento do cidadão de bem”. Não é tão simples assim. Na minha opinião, a campanha do desarmamento consegue ser mais imbecil do que a campanha contra ele. Mas ambas são quase completa e integralmente retardadas. Mas depois de toda essa reflexão besta e introdutória, eu vou dizer o que me fez mudar de idéia.
Votar pelo direito do cidadão de bem em ter uma arma, é acreditar na existência de um grupo “cidadão de bem” e incluir-se nele. Eu não acredito em cidadão de bem. Nem em bandido. Eu acredito em potenciais bandidos e potenciais cidadãos de bem. Não acredito que fará nenhuma diferença votar dois, mesmo que eu tivesse alguma esperança de vitória. Nem estou discutindo conceitualmente o impacto do desarmamento se ele fosse efetivar-se. É puramente conceitual.
E tudo fica muito simples quando você para de pensar de forma maniqueísta em cidadãos de bem e bandidos. Quando caiu a ficha pra mim, eu me dei conta que os “bandidos” vão continuar com armas, quer agente vote um ou dois. Mas quem não é “bandido”, ou seja, quem ainda não cometeu crimes, não mora na favela e não é super-explorado pelo sistema, com o desarmamento, ou vai ignorar ou vai se desarmar. Não pode piorar. Na pior das hipóteses, continuam comprando armas quem quer apontar armas pra os outros no transito, para os bandidos que entram em casa e para os filhos atrás das cortinas. Na melhor das hipóteses, menos pessoas terão armas. Eu não separo as pessoas entre “bandidos” e “mocinhos”. Pra mim, gente é gente. E quanto menos gente com arma, melhor.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Excertinhos da Vila Olimpia

Qual o cumulo da nerdeza? Eu. O que eu faço em uma balada chata? depois me perguntam porque cazzo eu carrego uma bolsa! Pois eu abro-a e retiro um caderninho que salva minha pele em todos os lugares chatos e salva as ideias boas em lugares legais, e começo a escrever... aqui vao alguns exemplos das coisas estranhas que me vem à cabeça. Não esperem muito, afinal a musica de fundo era lamentavel, eu estava bebado e tinham patys e boyzinhos pentelhando enquanto eu escrevia.

A diferença entre um bom motivo e uma desculpa esfarrapada é a capacidade argumentativa do vacilão.

A quantidade de minas gatas em um bar é diretamente proporcional à quantidade de caras imbecis e músicas chulas.

Eu não odeio garotas burras por serem burras, mas sim pela impossibilidade gerada pela sua imbecilidade de qualquer tipo de abordagem e/ou xaveco não-imbecil (não tenho nada contra xavecos imbecis, a não ser o fato de que eu não os domino...).

domingo, outubro 09, 2005

Transar com camisinha é igual a ir no cinema com um saco de pão cobrindo sua cabeça.

terça-feira, outubro 04, 2005

- Eu dei uma sossegada no rabo. Encheu o saco. Eu comecei a me sentir junky demais depois da terceira vez a três, sabe? Daí parei. E a minha namorada terminou comigo. Ela era uma puta sem coração...


- Gabi, meu amor por você é eterno, infinito e gorducho

- Eu tava sussa na augusta, perto do teatro esperando ela. E para um carro com um cara que me olha com a maior cara, eu olhei com uma cara duas vezes maior e ele percebeu que não iríamos fazer negocio, fingiu que não aconteceu nada e foi embora

- Quais táticas?As tática ninjas de manejar as palavras como se você estivesse manejando um maçarico folheado a ouro num (bla bla bla coloque uma metáfora aqui. Eu não tenho as táticas ninjas. Mas como eu gosto de me destacar dos outros eu enrolo aqui.)*****

segunda-feira, outubro 03, 2005

Da estupidez humana (ou: da minha estupidez)

Primeiro ponto que eu preciso destacar antes de começar: eu chego morto de cansaço em casa, com roupas me incomodando, cheirando a cigarro, com vontade de mijar, com fome e com sono. Qual a primeira coisa que eu faço?
O racional-instinto-naturalista provavelmente ira argumentar que eu mijarei, comerei e dormirei, respectivamente, porque são necessidades de ordem básica e blá. Meninas provavelmente saberão quanto uma roupa pode incomodar, e dirão que eu tiro a roupa em primeiro lugar. Um leitor mais atento se lembrará de quão fresca é a minha pessoa (sim, eu tenho uma pessoa só minha) e afirmará veementemente que eu vou imediatamente tomar banho.
Todos estão errados. Todos, porque não levaram em consideração algo muito importante: o título desta porra. Eu sou estúpido. Então a primeira coisa que eu faço é entrar no MSN e começar a digitar incessantemente. Aí eu vou tirando a roupa enquanto digito, sentado na minha cadeira com braços de madeira longos e incômodos, ouvindo musica com um fone de ouvido daqueles bem grandes e volumosos estilo DJ ou sei lá o que. Esse argumento é só pra que não restem duvidas sobre minha imbecilidade.
Começando de fato a escrever sobre o motivo que me faz despertar da hibernação literária... Há algo que é estúpido de fato que eu faço e não entendo. Eu não costumo cometer recorrentemente a mesma cagada, e portanto este constitui uma exceção tão interessante quanto revoltante (pra mim) e deleitante (pra alguns de vocês. Talvez mas de alguns). Esta coisa é o que eu chamo de “balada”. Deixo claro que pra mim balada é a designação geral pra todo o tipo de migração pendular casa->lugar lotado, longe e cheio de desconhecidos // lugar lotado, longe e cheio de desconhecido ->casa. Com a recorrência sucessiva de cagadas, eu passei a associar a palavra balada a qualquer tipo de atividade em horário desagradável, em ambiente desagradável e com companhias desagradáveis (o que, sob certos aspectos me permite chamar o cursinho, faculdade e colégio de balada... mas acordar cedo pra mim não é tão chato quanto estar no meio da madrugada em um lugar longe de casa, fedido, fétido e fodido. Meu deus, como eu demoro pra falar o que vou falar. Acho que essa é a arte de escrever um livro. Você tem algo que pode falar em um parágrafo, ou talvez uma página se for muito complexo, mas você dá um jeito de enrolar até a centésima página. Mas como eu sou muito inexperiente ainda, só tomarei mais algumas linhas e alguns bytes de seu precioso temp.
Mas enfim, o que me deixa puto é o fato de que eu vou pra balada. Isso é um absurdo. Porque eu vou, eu fico de saco cheio, eu só quero voltar pra casa e relaxar, eu não me divirto, eu não beijo ninguém, eu nem quero, o cheiro é ruim, é longe, os assuntos são idiotas, e as pessoas também. Você pode argumentar que depende do lugar. Mas eu não conheço lugares em que uma porcentagem superior a 40% não seja idiota (por exemplo sua casa. Com certeza você não é idiota, e um dos seus pais, ou seu irmão também não. Os outros, todos são idiotas, a faxineira que não limpa direito, a empregada que troca tudo de lugar, seu irmão pentelho, sua irmã chata, sua mãe possessiva ou seu pai ausente. No máximo um deles alem de você não é idiota). Mas isso não é o problema central. O problema é que eu VOLTO pra balada, já sabendo que eu não gosto.
Eu sempre chego em casa com a vontade de nunca mais sair de casa e assumir minha verdadeira identidade nerdérrima de caseirão total. Eu só quero ficar em casa, relaxar, ver filmes, dormir abraçadinho, ler, trepar, fazer alguns esportes e aulas fora de casa, no máximo ir no cinema ou livraria (não, eu odeio exposições) mas enfim, fora isso, eu quero é ficar em casa, nem que seja pra perder tempo no MSN. Mesmo assim, eu volto. Eu vou de novo pra balada e passo pela mesma crise existencial de jovem nerd de novo. And history repeats itself e ate hoje eu não me lembro de ter gostado de nenhuma balada. Até algumas pouquíssimas foram razoavelmente legais, mas até hoje nunca aconteceu de superar um belo programa caseiro com os amigos conversando, um sexo selvagem-carinhoso, um jantarzinho aconchegante, um filme, dormir abraçadinho (com ou sem sexo) ou mesmo um esquema autista de ver filmes do buñuel, david lynch ou cronenberg sozinho. Eu ainda me pergunto como alguma mulher em sã consciência pode gostar de mim sabendo dessas coisas, mas enfim. Tem louca pra tudo. Ou não.
Sei lá.