Devaneios insanos sobre a incompatibilidade verbal e filosófica inter-familiar
Não me conformo com o tamanho da incompatibilidade verbal e filosófica que pode haver entre duas pessoas. Vai totalmente além da minha compreensão. Ou talvez não, mas mesmo que não seja, é absolutamente aterrador.
Vou falar da incompatibilidade de gerações, que é o que me martela a cabeça agora. Baseado totalmente em experiência pessoal, nunca nasci em outra família pra saber como é.
Primeiro um pouquinho de background histórico. Meus tios todos resolveram trepar na mesma época do ano e no mesmo ano, simplesmente do nada. Então, 9 meses depois de todos treparem (provavelmente não coletivamente, imagino) nascem 3 priminhos. No ano seguinte, o episodio virtualmente bacanástico se repete, e mais 3 priminhos são trazidos ao mundo. Contra todas as probabilidades, o fenômeno se repete mais uma vez. Minha convivência familiar quase agradável se tornou, em um intervalo de 3 anos, insuportável. Não creio que seja possível sobreviver humanamente a 9 primos. É um pequeno exercito apocalíptico. Mas enfim, conto isso só pra deixar claro que o meu desaparecimento gradativo das festas em torno de meu núcleo familiar tem
razões perfeitamente justas.
Então eu, o filho pródigo da família, não tenho mais intimidade com nenhum dos membros daqueles que estão a mim ligados por fodas estratégicas. Porque é isto que é uma família. Pessoas com as quais você é obrigado a conviver, obrigado a emprestar dinheiro e para quem você é obrigado a comprar presentes de aniversario (assim como comparecer às respectivas celebrações) porque em algum momento na linha do tempo, alguém trepou com alguém que trepou com alguém te pariu ou foi parido pela mesma pessoa que você.
O que aconteceu é que depois destes anos, o exercito de Lúcifer já é composto por 9 membros com idade suficiente para consumar seus desejos destrutivos e eu desabrochei. Agora sou um menino que pinta as unhas, passa lápis e usa cores proibidas no universo masculino. Mas como parte da minha família é pseudo-liberal, eles não tem nada contra gays. O problema é que sou hetero e faço coisas que todo mundo sabe que são proibidas para heterossexuais homens, como pintar as unhas ou usar rosa (não salmão, mas rosa pink mesmo). E pra completar eu prestei vestibular e estou decidindo o que fazer da vida. Parece tudo normal, dentro dos conformes.
Mas daí é que a putaria come solta. Não só eu não posso ir a nenhuma reunião familiar porque agora eu já faltei em festas demais, então minha presença se torna um evento. Se por acaso eu vou, todos precisam ter aquela conversinha. Ou melhor, aquele monólogo. “Você deve fazer isto da sua vida. Quando eu tinha a sua idade, eu também achava que podia escolher o que eu gostava, queria curtir a vida, mas depois percebi que você precisa escolher pelo dinheiro, porque se não você vai passar fome.” e derivados. No máximo eu ganho um “você tem que fazer o que gosta. Mas música não. Nem moda. Nem nada disso, tem que ser direito, medicina no máximo economia”.
Liberdade limitada não é liberdade nenhuma.
Então em todas as festas familiares é isso que ocorre. Tios vindo dizer como eu devo viver minha vida e o que deve ser feito, como as coisas são, porque já que eles tem o saco mais enrrugado que o meu, ou peitos mais caídos, eles sabem mais sobre a vida e eu não sei nada porque tenho só 19 anos. “Um dia você vai entender”. Então o que ocorre é isso. Eu chego, me chamam de desnaturado, eu nunca apareço, eu sumi, eu nunca vou a nenhuma comemoração. Legal. Daí tem aquela conversinha de praxe, eu tenho que viver minha vida assim, e existe o certo e o errado e eles sabem qual é qual perfeitamente. Dúvidas são para os adolescentes, quando você cresce não existem duvidas ou opções, existe o certo e o errado. Então, começa o sermão, interrompido incontáveis vezes pelas putarias da pirralhada. O sermão sobre o que eu devo fazer da vida (se referindo a profissão, dinheiro, dinheiro e dinheiro) é intercalado por demonstrações de reprovação pelo meu estilo de ser. Por minhas unhas, por meu cabelo, por minhas roupas e por tudo o que eu faço. Eles me tratam como se eu tivesse 4 anos de idade e estivesse falando que gostaria de ser o Power Ranger vermelho ou estivesse fantasiado como homem aranha. Só porque eles resolveram cortar o cabelo igual, fazer o que todo mundo faz, do jeito que todo mundo faz, e usar as frases feitas que todo mundo usa, aquilo que eu falo é coisa de criança, porque adultos tem que ser todos iguais falando as mesmas coisas e enquanto eu não virar uma maquina de repetir frases feitas e me vestir igual a todos, não sou adulto. É isso que é ser adulto pra eles, eu acho. Ou não, também pode ser. Quem sabe um dia eu entenda.
Vou falar da incompatibilidade de gerações, que é o que me martela a cabeça agora. Baseado totalmente em experiência pessoal, nunca nasci em outra família pra saber como é.
Primeiro um pouquinho de background histórico. Meus tios todos resolveram trepar na mesma época do ano e no mesmo ano, simplesmente do nada. Então, 9 meses depois de todos treparem (provavelmente não coletivamente, imagino) nascem 3 priminhos. No ano seguinte, o episodio virtualmente bacanástico se repete, e mais 3 priminhos são trazidos ao mundo. Contra todas as probabilidades, o fenômeno se repete mais uma vez. Minha convivência familiar quase agradável se tornou, em um intervalo de 3 anos, insuportável. Não creio que seja possível sobreviver humanamente a 9 primos. É um pequeno exercito apocalíptico. Mas enfim, conto isso só pra deixar claro que o meu desaparecimento gradativo das festas em torno de meu núcleo familiar tem
razões perfeitamente justas.
Então eu, o filho pródigo da família, não tenho mais intimidade com nenhum dos membros daqueles que estão a mim ligados por fodas estratégicas. Porque é isto que é uma família. Pessoas com as quais você é obrigado a conviver, obrigado a emprestar dinheiro e para quem você é obrigado a comprar presentes de aniversario (assim como comparecer às respectivas celebrações) porque em algum momento na linha do tempo, alguém trepou com alguém que trepou com alguém te pariu ou foi parido pela mesma pessoa que você.
O que aconteceu é que depois destes anos, o exercito de Lúcifer já é composto por 9 membros com idade suficiente para consumar seus desejos destrutivos e eu desabrochei. Agora sou um menino que pinta as unhas, passa lápis e usa cores proibidas no universo masculino. Mas como parte da minha família é pseudo-liberal, eles não tem nada contra gays. O problema é que sou hetero e faço coisas que todo mundo sabe que são proibidas para heterossexuais homens, como pintar as unhas ou usar rosa (não salmão, mas rosa pink mesmo). E pra completar eu prestei vestibular e estou decidindo o que fazer da vida. Parece tudo normal, dentro dos conformes.
Mas daí é que a putaria come solta. Não só eu não posso ir a nenhuma reunião familiar porque agora eu já faltei em festas demais, então minha presença se torna um evento. Se por acaso eu vou, todos precisam ter aquela conversinha. Ou melhor, aquele monólogo. “Você deve fazer isto da sua vida. Quando eu tinha a sua idade, eu também achava que podia escolher o que eu gostava, queria curtir a vida, mas depois percebi que você precisa escolher pelo dinheiro, porque se não você vai passar fome.” e derivados. No máximo eu ganho um “você tem que fazer o que gosta. Mas música não. Nem moda. Nem nada disso, tem que ser direito, medicina no máximo economia”.
Liberdade limitada não é liberdade nenhuma.
Então em todas as festas familiares é isso que ocorre. Tios vindo dizer como eu devo viver minha vida e o que deve ser feito, como as coisas são, porque já que eles tem o saco mais enrrugado que o meu, ou peitos mais caídos, eles sabem mais sobre a vida e eu não sei nada porque tenho só 19 anos. “Um dia você vai entender”. Então o que ocorre é isso. Eu chego, me chamam de desnaturado, eu nunca apareço, eu sumi, eu nunca vou a nenhuma comemoração. Legal. Daí tem aquela conversinha de praxe, eu tenho que viver minha vida assim, e existe o certo e o errado e eles sabem qual é qual perfeitamente. Dúvidas são para os adolescentes, quando você cresce não existem duvidas ou opções, existe o certo e o errado. Então, começa o sermão, interrompido incontáveis vezes pelas putarias da pirralhada. O sermão sobre o que eu devo fazer da vida (se referindo a profissão, dinheiro, dinheiro e dinheiro) é intercalado por demonstrações de reprovação pelo meu estilo de ser. Por minhas unhas, por meu cabelo, por minhas roupas e por tudo o que eu faço. Eles me tratam como se eu tivesse 4 anos de idade e estivesse falando que gostaria de ser o Power Ranger vermelho ou estivesse fantasiado como homem aranha. Só porque eles resolveram cortar o cabelo igual, fazer o que todo mundo faz, do jeito que todo mundo faz, e usar as frases feitas que todo mundo usa, aquilo que eu falo é coisa de criança, porque adultos tem que ser todos iguais falando as mesmas coisas e enquanto eu não virar uma maquina de repetir frases feitas e me vestir igual a todos, não sou adulto. É isso que é ser adulto pra eles, eu acho. Ou não, também pode ser. Quem sabe um dia eu entenda.

4 Comments:
Assim...
o texto é sério, entendi o que você quis dizer (eu acho).
mas, como vc bem sabe, eu dou risada de tudo. eu achei mto engraçado, sério mesmo...
;P
impressionante, eu tava com preguiça de ler né haha, mas depois que comecei, me prendeu e eu consegui ler tudinho e tal...
coloquei um link do seu blog no meu ... depois passa lá... mas só tem tosqueira xD
bjs.
http://holyfairy.blogger.com.br
Pode rir pode zuar e pode sacanear eu escrevo poruqe gosto e se isso ainda por cima divertir alguem só me faz mas feliz sil.. ainda por cima se for alguem especial como voce! só queria saber da onde surgiu akela aline...
leia pis e filhos do tolstoi.. o livor é sobre isso é londo e parado mas tem uma ideía boa.. e é inteligente!aparece por aqui senão terei de dar uam de menina com iniciativa e te ligar pra gente sair! bjos!
Exército de Lúcifer..hum...vc não conhece minha família!!!!
É more,acho que é bom desabafar,dizer realmente oq está pensando de tudo e todos.Acho que poucos compreendem de verdade oq queremos dizer e fazer.Continue fazendo oq acha melhor pra vc pq não dá pra ser oq os outros querem.Normal quererem seu bem,mas o dinheiro que compra satisfação e alegria para alguns,não compra pra outros!!!
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