sábado, abril 23, 2005

A capitalização de Álvares de Azevedo

A ceninha gótica cresce vertiginosamente. O Araçá é um shopping center aos sábados. As baladas góticas se multiplicam exponencialmente. Em breve, a fuvestona trará questões de analise combinatória do tipo ‘/deus_esta_morto comprou 15 anéis, 3 meias-calças, 4 calças de couro, 3 calças de vinil, 2 saias, 3 vestidos e 5 camisas (todas pretas). De quantas formas diferentes ele poderá combinar suas roupas, considerando que de 6 em 6 dias ele deverá ir a 6 festas góticas (reparem que inteligente a sacada do 666) pela cidade e ganhar todos os concursos de roupa?’.
A galeria do rock que um dia foi underground (em um passado remoto), se transforma no Parque da Mônica durante os fins de semana, agraciada com a presença também crescente dos emos para fechar a casa dos horrores góticos (tem que ter algo contra o que se unir). Os apetrechos de metal cada vez mais caros, já que a molecada paga-pau (termo que sempre me lembra Marcelo D2 e Chorão) pode pagar muito mais do que os verdadeiros góticos, sujos, pobres e marginalizados (porque todo mundo sabe que riquinho não pode ser gótico).
Multiplicam-se injuriosamente os blogs com poesia de qualidade catastrofica ao lado dos blogs-cotidianos-metidos-a-literários (como por exemplo aquele ‘Tá no Papel é Ficção). Um amontoado de palavras ridículas que a fofinha das trevas ouviu em poemas malvadinhos e resolve enfiar uma atrás da outra sem sonoridade ou ritmo nenhum (e sem mesmo saber o que significam as malditas palavras que pegou), sem sentido nenhum, falando de nada (são sempre um climinha tenebroso porque o fundo é sempre preto e as palavras são emotivas, mas fora isso não é nada diferente daquele recurso de filmes de terror péssimos que só conseguem dar susto com um sonzinho agudo sorrateiro inesperado). Wannabe ultra-românticos da pior qualidade, de fazer o Álvares de Azevedo chorar lágrimas de sangue e o Zé-do-Caixão se revirar no Caixão.
Os covers de todas as bandas malvadas possíveis, desde o gótico-pop Marlyn MEISON (como a galerinha cisma em pronunciar sei lá porque motivo) até o gótico-metal, gótico-trash e gótico-gótico tipo Tristanias, Dimmu Borgirs, Cradles of Filth, Childrens of Bodom e etc. fazem shows em todos os antros do capeta.
Menininhas evanescenceadas e nightwhisheadas são atraídas para o lado negro da força e povoam cada vez mais o universo gótico, cada vez mais um movimento de massa e segregacionista, não solidário aos marginalizados como costumava ser.
Se você é um looser no colégio, porque não tem amigos, os caras te zoam e as meninas não te querem, são 2 as suas opções: você pode virar um gótico (se gostar de leituras melosas e malvadas, se for trágico e tiver tendências suicidas porque sua vida é uma merda) ou virar um punk (se não gostar de porra nenhuma e tiver tendências suicidas porque sua vida é uma merda). Um dia foi assim, e os segregados se uniram. Agora os segregados diferentes unidos segregam aqueles que vem do extrato dos segregadores para unirem-se aos ex-párias que se rebaixam ao mesmo nível de opressores nojentos. Se eu sou uma menininha paty bem cuidada e ouço cpm22 não posso me tornar uma gótica, sou totalmente segregada. Quantas vezes eu não ouvi “odeio essas pirralhas que gostam de nightwish e de evanescence”? Nem eu sei dizer. O papinho continua o mesmo, ‘somos os diferentes’. Mas são diferentes todos iguais, grande merda.
E o movimento cresce, todos compram, todos vão a shows e baladas enquanto Byron acha graça, Azevedão chora no tumulo, Zé do Caixão tenta formular alguma frase mas a concordância verbal lhe escapa e ele desiste, Casemiro lambe um pirulito e não tem nada a ver com isso e algumas góticas de verdade (juro que sou gótica!) me convidam pra ir no cemitério pra um passeio vespertino crepuscular.

quinta-feira, abril 14, 2005

Tesão

Pra variar ela escolhe o lugar, o filme, a hora e o caralho (o meu, no caso). Logo que cheguei, olhou feio e gentilmente me pediu pra tirar meu brinco. Tá. No cinema, enquanto não víamos o filme, a cena semi-clássica se passa: Nos beijando e eu a apalpando e fazendo todas as carícias que eu sei que ela ama, deixando ela arrepiada. Fiz tudo perfeito, na velocidade certa, intensidade certa e do jeito certo, tenho certeza porque vi e senti e também estava gostando. Comecei a acariciar uma região mais sensível, nas laterais entre o umbigo e o fim do arco-íris. Ela arrepiada de tesão, pede pra que eu tire a mão. Eu tiro, claro, viro o rosto, faço bico e fico com cara emburrada igual a cara que eu fazia quando minha mãe não me deixava comer algum doce quando eu tinha 8 anos.

Fico puto com mulher que tem medo de tesão. É só começar a ficar com tesão que se rebela contra minhas carícias. Ainda vou virar padre. Ou então dizer foda-se e fazer só o que eu quiser, pra que a fofa fique com menos tesão e então não fique se borrando de medo do próprio tesão. E sim, eu adoro escrever tesão. Principalmente no Word, porque eu escrevo TESÃO e ele sublinha de verde e sutilmente me sugere que troque o termo por “excitação”. Eu, humildemente, respondo “o caralho”, e pra variar, deixo meu texto o arco-íris (quem é que tem a manha de escrever no mesmo parágrafo duas metáforas com arco-íris que não tem nada a ver com homossexualismo nem situações tristes resolvidas?) carnavalesco de verde-e-vermelho.

terça-feira, abril 12, 2005

Querido Diário - Parte II


Ficamos conversando no MSN até tarde... Sobre aquele assuntinho que é quase sempre o golpe fatal nas minhas pretendentes. Eu devo ser muito imbecil ou problemático, porque quase todas as coisas me soam machistas demais. Tipo o joguinho nojento do ‘pressão de um lado, resistência do outro’, e quando ela não agüenta mais (poxa, maricota, já fazem 6 meses que estamos juntos, não tá na hora de liberar não? Quer dizer nada contra a pequena sereia mas buceta é fundamental) ela libera. Daí você come ela até gozar e um abraço (não importa se ela esta curtindo ou já terminou, afinal de contas, é um presente da mulher pro homem todos sabem). Esse jogo me dá nojo e ele é o fantasma de todas as minhas conversas sobre assunto.
Conversamos e ela me fez aquele questionáriozinho imbecil tipo “que posição você prefere, já fez grupal, gosta de oral” e o caralho a quatro... Tentei responder da maneira mais natural possível embora esse papo soe pra mim coisa de quem gosta de sexo e não de quem gosta de alguem. Porque eu não gosto de sexo, eu acho a coisa mais maravilhosa do universo quando é feito com uma pessoa que eu amo. Mas as posições, os lugares e os desdobramentos sócio-pragmaticos não me importam em absolutamente nada. Se eu gostasse de sexo, pegava uma cocotinha qualquer, levava pra meu lugar preferido, mandava ela fazer o que eu gosto e um abraço pro meu broder Onan. Mas não é assim que funciona comigo...
E então ela me mostrou aquela visãozinha manjada de que “punheta é pra quem é mal amado, necessitado” e o monte de merda sobre o qual as no máximo 3 leitoras deste amontoado de bits e bytes já devem ter lido aqui e eu me enchi um pouco o saco. Tá, querida, concordo, é verdade. Não quero nunca bater uma pensando em você, vou pensar em outra. “Não pensa em outra não, porra! Cê tá louco?”. Então não posso bater uma pensando em nenhuma outra e muito menos nela “em mim não, ai que nojo”. Ta bom. Meu amorzinho não vou brincar pensando em ninguém você sabe disso, vou me guardar todinho pra você ta minha tchukinha mais linda desse mundo!
Dei boa noite, fechei a janela e fui bater uma punheta. Esfriei a cabeça. Foda-se que ela é machista, depois eu resolvo essa porra.

segunda-feira, abril 11, 2005

EU ODEIO MARIA SHAMPOO

Esse post é completamente hermético. Pra quem nao faz parte da "ceninha" vai ser dificil sacar o que eu quero dizer porque depende mais de sentir do que de entender. Mas é importante pra mim postar isso aqui. Vou colar 2 posts meus em uma comunidade da orkut chamada "Eu odeio Maria Shampoo". Deixando claro que compreendo que existem diversos graus de maria shampoo. Me refiro aos mais elevados e nao-saudáveis.
link para a comunidade : http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1036901
Enfim... Enjoy

- Porque voces às odeiam?
"Por motivos que começam no coração, passam pelo cérebro e terminam na ponta do meu nariz...Porque eu quero que me amem nao pela porra do meu cabelo, mas sim por quem eu soPorque alguém que curte qualquer porra que ande por aí com um cabelo cumprido não tem capacidade de discernir intelecualmente porra nenhuma, nem de dar valor pra o que tem... Se quer UM cabeludo, vai atras de outro que seja "mais UM " e nao O que voce quer... não sou Um eu sou O. Sou eu. Porque eu faço limpeza de pele, faço musculação, cuido da minha saúde, da minha cabeça, do meu corpo, da minha vida, do meu coração, dos meus valores e MANDO PRA PUTA QUE PARIU quem me quiser só por causa do meu cabeloODEIO Maria Shampoos"

- O que seriam de voces cabeludos sem nós maria shampoos?
"Sim, cabeludos gostam de receber elogios. Sim, nós odiamos maria-shampoos. Eu adoro sexo. Se uma mulher ficar comigo só pra trepar eu mando pra puta que pariu do mesmo jeito. Entende a diferença?Uma coisa é receber um elogio sentindo que voce tem algo que agrada, fazendo parte de um conjunto. A diferença é ter isso acima de tudo ignorando parte do conjunto. Voce diz que 'nós homens' gostamos de loiras, morenas ou 'o caralho a 4'. Mas um cara que só trepa com loiras é tao ridiculo quanto meninas que só sao atraidas por cabeludos. A diferença é que os fanaticos por loiras nao sao cara de pau em chegar pra coitada e dizer 'Poxa, adorei a cor do seu cabelo'. O problema é que eu sou cabeludo e me sinto bem com os elogios que me fazem, porque sou ingenuo e acho que sou especial. O problema é que cortei o cabelo e sou descartado. O problema é que cortei o cabelo e tenho que escutar 'porque voce fez isso' a cada 10 minutos, como se eu precisasse de um motivo pra cortar a porra do meu cabelo que é meu e é só uma porra de cabelo. Porque nao importa qual outro corte que eu deixe, se for acima do ombro eu to fora do cardápio. E isso nao é absolutamente uma ODE CONTRA OS FOTOLOGS DE CABELUDOS de forma alguma, sou super a favor. Axo maravilhoso que existam espaços como esse. É super normal ter fetiches assim. A diferença é ter isso como uma tarazinha, ou entao levar isso a sério de forma a levar sua vida assim e de forma a magoar aqueles que nao sao mais cabeludos, ou aqueles que sao cabeludos e sentem que nao podem cortar porque nao vao mais ser amados (akilo que eu chamo de sindrome de sansao), ou ainda os que tem cabelos cumpridos e nao querem cortar, mas nao conseguem separar aquelas que o admiram de fato e aquelas que admiram 'cabeludos'. E deixo claroq ue nao sou 'contra isso' ou 'contra' aquilo. Cada um gosta do que quiser. se voce quer dar só pra quem tem cabelo no traseiro e viver no mundo medieval dos rex crinitus o problema é vosso. Só por favor, maria-shampoos, nao venham dizer que isso é sensível e sensato."

Beijos

sexta-feira, abril 08, 2005

Onan e a pseudo-filosofia pós-moderna

Não pra cima de muá, baby. Livre associação, só pra dar uma quebradinha no gelo antes de começar mais um texto besta. Outro dia algum cara estava falando pra mim que ‘punheta é coisa de fracassado, de quem não consegue mulher’ e um papo parecido. Agora, meninas : isto é um cara com traumas de infância. Vocês podem achar que sabem como é uma punheta masculina e o que ela representa, mas não fazem idéia. O nosso solo game sempre vai ser um mistério pra vocês assim como o vosso é para nós. Mas continuando, este (e todos que pensam assim e mexeram os queixos afirmativamente quando leram esta frase que ele disse) é um caso típico do homo fracassadum inrrustidus. Com medo da opinião muito controversa feminina, o cara adota essa posição de traumatizado que pode até lhe render alguns aplausos das reprimidas do sexo feminino, mas com certeza o fará perder fãs adeptas do chamado em-si-mesmismo.
Por exemplo eu vou dizer como as coisas rolam ‘com a minha pessoa’ (imagino que referir-se a si próprio com este termo tenha sido um dia algo elegante, mas hoje soa tão categoricamente estúpido que a ironia é apropriada). Eu prefiro muito mais uma punheta bem batida do que, pra saciar meus ímpetos sexuais de canhão hormonal, fazer mal feito com umazinha qualquer. Isso sim é nojento (moralismos a parte), fazer por fazer, simplesmente a descarga sexual. Fazer isso com uma menina qualquer, é exatamente como uma punhetinha, mas só se você não se importa com a menina (o que deve ser o caso do machista insensível que falou a frase do primeiro parágrafo). No meu caso, como desenvolvi-me incapaz de objetificar pessoas assim, não existe a trepadinha de descarga sexual. Eu faço amor, ou eu não faço amor. Sempre é algo importante e envolve sentimentos, nunca só a gozada (porque esse é o poder do cara, ele pode ficar mole a hora que quiser e acabar com a brincadeira, que é, em geral, o que fazem). Por isso a punheta vem a calhar. Descarrego esse tesão contido na minha procura incessante pela eterna-fofa, minha baby que eu quero mais que tudo, mas não sei quem é. Ainda. Ou talvez já saiba (edit)
Com mais cérebro e menos bolas pra controlar minhas ações, minhas conexões neurais podem trabalhar com mais eficiência pra encontrar A baby que meu coração procura. Mas isso só é possível assim, através da bronha. Sem o onanismo, não é possível se chegar a harmonia entre os três principais membros-órgãos do corpo masculino que são responsáveis pelo controle do ser : o cérebro, o coração e as bolas (o pinto é um dos principais executores, mas não controladores). Sem a punheta, o cara não contém seus instintos e é obrigado a fazer coisas que racionalmente não são tão bem aceitas socialmente, como financiar o ofício da falecida Madalena, ou então comer alguma ex, fodendo denota e conotativamente mais ainda as coisas. Mas precisará fazer algo sobre isso, e se não tiver opções terá que correr atrás de trepadinhas com algumazinha. De qualquer forma, só lhe dará mais trabalho e o privará do prazer que muitos já santificaram, como o grande Vinícius e sua ‘Ode a Onan’(pra quem não sabe, onanismo = punheta), ou Oswald de Andrade que confessou: “fui o maior onanista do meu tempo”. Segundo consta, Kant se masturbava na catedral. Mas não importa. É uma arte que nos proporciona um prazer único e solitário. Não haverá nenhuma outra oportunidade deste prazer ser obtido sozinho, e poucas para obtê-lo acompanhado. É uma escolha sua, cara. Vai comer qualquer uma se sua imaginação é uma merda.
Eu, humildemente, santifico o grande Onan enquanto espero que ela me encontre, enquanto ela espera que eu a encontre, e enquanto nós esperamos nos encontrar. Ou será que já encontrei? (editado)

quinta-feira, abril 07, 2005

Feministas de conveniência e o metrossexualismo

Primeiro quero esclarecer que não pretendo discorrer sobre a questão política que envolve o sexismo. Já é assunto muito desgastado e não pretendo desperdiçar meus preciosos bytes nisso. Além do mais, eu não tenho esperança alguma em curto prazo enquanto alguma bichona não assassinar o Severino, e isso aqui não é espaço pra política. Enfim. Eu demorei pra perceber esse fenômeno de moda que eu devo achar tão patético quanto algumas “feministas de fato” acham irritante. “Olha só como eu sou feminista : Eu acho que homem que cozinha é lindo, homem que faz limpeza de pele assim... homem que se cuida sabe (nessa hora vocês tem que me imaginar falando com uma vozinha de menina estúpida)” . Super conveniente, eu também amo, todo mundo ama. O legal é que essa estúpida vai se dizer feminista por isso. Alias, as mulheres que se dizem feministas são em geral ou estúpidas e não sabem o que é isso, ou então são malucas mesmo. Geralmente são estúpidas e acham que ser feminista se resume a achar machismo uma injustiça. Tá, foda-se, esta não é a questão. A questão é que estas feministas de conveniência acham maravilhoso que o homem faça duas ou três coisas que antes seriam consideradas gays. Mas se ele resolve trata-la como igual, aí fode tudo. “eu quero ser tratada com respeito, com igualdade” . Mas se o cara não te leva pra casa de carro, não abre a porta do elevador pra você, não carrega suas coisas, não dá o lugar na fila, não oferece o agasalho quando você ta com frio... Ele é um grosso. Isso é só pra exemplificar, a esta altura você já tem, muito provavelmente, uns exemplos melhores. Super-conveniente. Alias, tanto faz, posso chamar de machismo de conveniência que também se enquadra perfeitamente. Mas a questão é que isso não é errado ou certo, você não precisa se defender se pensar assim. Mas porra, pelo menos assume.
O “advento” do metrossexualismo é a maior prova disso. Quando eu soube disso, quando estava na 8ª série do ginásio dentro de um avião lendo uma daquelas revistas horríveis da VARIG, e o Beckham ainda jogava futebol (se é que já jogava) era uma coisa desconhecida aqui no nosso país, era como um fenômeno a ser descoberto. Agora já é uma coisa banalizada, tudo é metrossexual e ainda por cima, o nosso país consegue ser tão machista que praticamente virou sinônimo de homossexualismo. Quando eu soube achei interessante, pensei “porra, taí um negocio no qual eu talvez possa me enquadrar”. Mas é isso que é foda. A idéia é legal, no papel é sempre legal. Mas daí as pessoas pegam e fodem tudo. Acho que com quase todos esses movimentos de massa é assim, tirando o nazismo porque o Mein Kampf é mais mal escrito do que minhas redações da sexta série e olha que eu tenho 19 anos e ainda escrevo mal pra caralho. Mas enfim, lá vou eu pintar os olhos com delineador. Porra, é só um delineador, há 40 anos atrás já tinha cara que usava isso, como alguém ainda pode ser tão antiquado e olhar torto. E eu uso brincos. Argolas. uma em cada orelha. De vez em quando eu uso uma peça rosa no meu vestuário. São coisas que não tem absolutamente nada com homossexualismo. São simplesmente aparatos estéticos. Mas se você é macho, você arromba sua orelha com um alargador, não pode colocar uma argola em cada orelha isso é errado. Então me perguntam “porque você usa um brinco em cada orelha e passa lápis?” tipo perguntando “você é uma bicha?” mas sem querer parecer preconceituoso e já o sendo em dobro. O melhor é quando o cara (ou a mina) é tão neurótico em não parecer machista, porque é muito machista, que pergunta “então, eu não queria... assim... tipo, numa boa... é que sei lá sabe... tipo.. é... você usa esses brincos assim e tal, assim, porque?” . E eu tenho que adivinhar que ele esta me perguntando “você dá o loló?”.
O melhor são aquelas comunidades da orkut. Tem uma que é “sou metrossexual, e daí?”. Se o cara que escreveu sentisse de fato o “e daí” ele não o escreveria. Só o fato de colocá-lo mostra a insegurança do veadinho. Isso não é ser metrossexual, mas cada vez mais metrossexualismo virou isso, assombrado pelo fantasma do veadinho impregnado no machismo da nossa sociedade capitalista patriarcal. O cara compra roupinhas caras, faz limpeza de pele e passa uns creminhos, e continua tão machista quanto. “eu faço limpeza de pele, mas fazer a sobrancelha é coisa de veado”. Pra eles não é uma questão conceitual , não é sobre “se cuidar”. Não é sobre porra nenhuma, provavelmente eles nem pensam no assunto. É só ir fazendo aquilo que vai se tornando socialmente aceitável e bem visto pelas bucetinhas ambulantes que suas respectivas picas tanto almejam. Não é sobre fazer nada de vanguarda, como eu achei que fosse. Metrossexualismo também é conveniência. Você pode fazer certas coisas, mas existe um limite... É claro que é legal fazer limpeza de pele. Mas passar lápis e delineador são coisa de veado. Fazer a unha também é legal, desde que você respeite o manual das cores proibidas para os machos, aprovado na lista de livros permitidos pelo nosso querido Severino.

quarta-feira, abril 06, 2005

The Blog Generation

Somos a nova geração. Já começaram milhoes de textos assim, mas eu mando todos eles a merda e escrevo o meu. Porque posso escrever onomatopéias homéricas, me servir de =) ou = ( sempre que quiser. Meu texto pode fluir rápido. Posso escrever bêbado, drogado, com sono. Pode ter quantas frases curtas eu quiser. Posso escrever sobre musica, sobre sexo e sobre qualquer coisa que esteja na minha vida, incluindo aquelas que eu minto dizendo que estão. Este é o meu mundo, é o nosso mundo. Depois da geração coca-cola, da geração bate-papo da UOL, vem a Geração Blog, a geração da primeira pessoa.
Cada vez mais o interesse pelo cotidiano romantizado cresce, desde os modernistas e o João-gostoso da noticia de jornal do Manuel Bandeira. Mas hoje não lêmos mais jornais, somos jovens alienados como a maioria dos jovens do passado (incluindo os hippies), mas temos computadores e utilizamos MSN e ICQ e Orkut pra invadir a vida alheia e curtir o mundo das fofocas de pessoas mais próximas do que as da revista Caras.
Não preciso me preocupar com absolutamente nada, porque todas as gerações já se preocuparam com tudo o que tinha pra se preocupar, e a ainda por cima até a Blank Generation já foi, então não preciso nem ficar noiado em não ter nada com o que me noiar. Nós somos a pós-blank generation cibernética. The blog generation
Posso usar termos em english sem absolutamente nenhuma questão política me deixar com peso na consciência, porque é simplesmente a língua dos computer programs que eu uso. Se você é metido a metaleiro, use alemão. Se você é metido a cult, use francês. Se você é metido a animes e hentais, fale japonês. Não importa, mesmo que eu não entenda. Ficou bom, tá valendo.
Posso ignorar todos os sublinhados verdes e vermelhos que carnavalizam impiedosamente o meu texto no Sr. Microsoft Word.
Você não vai tirar da cabeça se o que eu escrevo é real ou não, se as historias que eu contei são ou não verdade, e até que ponto. Porque eu estou próximo de você. Você pode nunca ter me visto, mas o mundo é pequeno pra nós. Todos tem orkut, fotolog, blog, msn e etc. Quem não tiver, o google acha. Estamos todos muito próximos. Todos somos amigos em potencial. Inimigos também, mas não importa. Por isso é mais gostoso saber das historias dos outros. Mas agente não quer o blog da fernandinha ‘hoje eu comi chocolate na casa da marianinha e foi muito legal, amanha vou ficar com espinhas, estou ficando gorda’. Queremos o cotidiano provido de conteúdo literário. Aquele desprovido está fadado a continuar crescendo em direção ao nada, sempre superado pelos fotologs sem literatura alguma, mas também com conteúdo pseudo-artístico mais agradável de observar. Nada mais de noticia de jornal no poema. Agora é a hora dos bytes em ação, em quantas línguas quiser, cotidiano, mas bom e interessante. We are The Blog Generation.

segunda-feira, abril 04, 2005

Desventuras in Wonderland

Três marmanjos recém chegados a Amsterdã. Morávamos em paris na época e resolvemos passar uns dias nos divertindo in the real wonderland.
As três Alices atravessam o espelho (vindas de trem) e quando chegamos do outro lado, nada parece diferente, a não ser pelas placas de nomes ilegíveis de ruas das quais precisávamos tirar fotos pra nos lembrar dos caminhos porque mesmo com os nomes anotados era impossível identificar o que era o que, quem era quem, o que era quem e onde diabos era a porra da nossa casa alugada. Então fomos ao famoso Red Light District, a região do centro da cidade onde se encontram as casas noturnas (puteiros), os coffee shops (butecos pra fumar maconha, haxixe e afins) e os corredores com profissionais do nobre oficio.
Até aí tudo estava combinado, meus dois amigos iriam procurar mocinhas pra divertirem-se e eu iria ficar fazendo alguma coisa enquanto isso, porque não estava muito afim de pagar pra fazer aquilo com uma mulher que não estava com vontade de brincar comigo.
Assim que chegamos, devidamente regados ao cheiro de erva do melhor lugar do planeta, nos deparamos com prostitutas lindíssimas que me chocaram e me fizeram pensar duas vezes antes de dizer não. Eles foram, e eu fiquei fumando um pouco mais em uma mesa de um inferninho, pensando se minha decisão deveria ser alterada, porque elas eram realmente espetaculares. 15 minutos depois (que para mim passaram muito rápido porque eu estava viajando conotativamente e denotativamente) os dois saem, quase que ao mesmo tempo, com caras de relaxados e tensos ao mesmo tempo.

- Que aconteceu, caras?
- Aconteceu que isso aqui não é o Brasil. “Pay first. Fifty Euro. No touching boobs, no doing this, no doing this, and this. If you want to do this, you pay more twenty Euro. 15 minutes, starting.. now”. Deitou na porra da cama e esperou que eu simplesmente comesse ela igual a uma porra de boneca inflável (lindíssima e maravilhosa e gostosa).
- E você, que que fez?
- Ah! Eu comi né, porra. Já tinha pagado a vaca, tinha que comer.
- E com você, foi a mesma coisa? – perguntei virando-me pro outro
- Mesmíssima. Fiquei me segurando até o ultimo minuto pra aproveitar o tempo todo... Vagabunda. Ainda ficou pentelhando dizendo “hum why you taking so long? You smoked didn’t you?” naquele inglês semi-intelígivel nederlândico delas. Mas que era gata, ah isso era… demais.

Caralho de sangue frio da porra. Eu, tivesse passado por isso, não conseguia ficar de pau duro nem que minha maior musa inspiradora aparecesse e caísse de boca no meu pau. Alias, provavelmente se ela me visse nesse momento a ultima coisa que eu iria ter é uma ereção. Mas de qualquer forma, dei graças ao bom e velho senhor por não ter mudado de idéia, ou melhor, por ter fumado muito e consequentemente demorado demais pra mudar de idéia...
Fomos afogar nossas mágoas no Haxixe sensacional que o dono do apartamento tinha nos vendido, e passamos o dia viajando e conversando, chapando no estado de semi-letargia até que a noite chegava... mas isso já é outra estória.

sábado, abril 02, 2005

Amor ao primeiro contato, sem nenhum contato

Não acredito em amor à primeira vista, mesmo porque apesar de dar considerável valor às aparências, não dou o suficiente pra me apaixonar só de olhar. Mas amor à primeira conversa já é outra historia. “Amor ao primeiro contato”, acho que seria mais apropriado.
Mas não estou sendo nada romântico. No meu caso foi perfeitamente racional, nunca havia sentido nada assim e de fato agora sinto. Foi gradativo, mas imediato ao mesmo tempo. Eu a conheci, e sua aparência me agradou, seu jeito me agradou, suas idéias me agradavam e parecia que tudo que ela falava ia encaixando com a mulher que eu procurava e procuro. Ela é a mulher que eu procuro, tenho certeza. Posso até estar errado, mas tenho certeza.
Tenho vontade de acordar cedo, estou acabado, mas foda-se só quero vê-la logo. Só quero conversar com ela e ficar perto dela, esperando pra me despedir só pra poder dar mais um beijo e um abraço. Só pra poder chegar mais pertinho, mas eu não sei se ela gosta também. Sei, porque sinto, que ela não desgosta. Pode até ser que goste, mas não sei se tanto quanto eu. Aliás, isso é mesmo pouco provável. Mas quero deixar claro que não é nada romântico, é muito racional. Eu percebo como daria certo, como seria bom. Não é paixão, é amor racional. Ela realmente é o que eu quero pra mim.
Fico só imaginando nós dois morando sob o mesmo teto... Vendo filmes, conversando abraçadinhos, cozinhando juntos, andando pela casa só com as roupas de baixo... Tudo isso. Com o nosso gatinho, porque eu já imaginava assim e agora descobri que ela tem um gatinho, e sei que ela gosta. Perfeito. E ela mora tão longe... Mas não me importa. E eu acho que ela é solteira, mas nunca consegui perguntar isso pra ela. Ela é esperta, tem classe. Conseguiu me perguntar isso em um momento perfeitamente adequado. Ela é demais.
É isso, eu estou amando. De novo, não é paixão, é amor racional. E amanha vou vê-la de novo. Vou dormir pra chegar logo amanha, não vejo a hora de sentir seu rosto no meu mais uma vez, e mais uma vez me deliciar com sua companhia enquanto me deleito com a possibilidade de tê-la ao meu lado, comigo, pra sempre.

sexta-feira, abril 01, 2005

Nada polêmico, pode ler sem medo sua moralistazinha de merda

Pra começar que eu nunca brincaria só por brincar, você sabe que eu só brincaria com alguém de quem eu gostasse mesmo porque pra mim sexo não é meter a pica numa boneca inflável que geme e sim uma “troca amorosa” mutua recíproca e maravilhosa que só pode ser consumada, pelo menos quando eu sou um integrante da relação bigâmica, através de amor, carinho, confiança e o caralho a quatro que todos já sabem qual é nesse meu discursinho de menina fresca.
Então eu só beijaria uma pessoa querendo algo mais, embora esta expressão não esteja sendo usada como normalmente é : “namoro”. Odeio essas classificações engavetatórias e por isso não uso nenhuma delas do jeito que você iria querer que eu usasse, mas se vira e entende. Eu só beijaria se tivesse interesse pela pessoa como um todo e não só pelos seus orifícios , então seria uma pessoa que teria como amiga no mínimo.
Depois do primeiro beijo, procuro agir como Don Juanzinho do bem, ser cavalheiro, honesto (tão honesto quanto elas gostam, ou seja, pose de honesto, mentiroso do caralho, jurando que sou honesto), gentil e fiel. Vou vendo como as coisas rolam, deixando rolar... Vendo como nossa química rola, como rolam as brincadeiras intimas e como tudo vai rolando. Rolado tudo, talvez rolasse algo mais, como a relação excludente possessiva que você chama de namoro.
Agora, ainda sim eu tenho limitações. Eu sou um indivíduo (frase que parece letra de musica metidinha a comunista) , ninguém pode ser dono de minha individualidade. Minha companheira também. Mas muitas vezes, o namoro tenta a buscar eliminar isto e tornar ambos um casal. “um relacionamento é feito de sacrifícios”. Não é isso pra mim. Pra mim é o contrario, exatamente. Namoro é um plus. E eu não sou a favor de monogamia forçada então de fato é imbecil chamar meus relacionamentos de namoros, porque nunca vou dizer pra alguém “não faça isso. Não pode fazer isso. Não ultrapasse esta barreira”. Simplesmente não dá eu quero alguém comigo que seja feliz comigo porque encaixou naturalmente, se isso inclui outras pessoas, que seja, se não, que seja da mesma forma desde que respeite o que é pra mim a coisa mais importante que é a felicidade “do casal”. Isso é a lei que rege os relacionamentos nos quais me meto, e provavelmente a lei que me faz dar fim a eles. Pelo menos, todas com quem eu namorei ficaram louquinhas pra voltar por um bom tempo, porque realmente minha visão e meu jeito como companheiro é maravilhosamente bem elaborado e muito bom pra elas na teoria, mas exige igualmente muita capacidade pra se doar corretamente, sem se submeter ou sem se deixar ser outra pessoa. Procuro um encaixe natural. Tem que ser ela mesma sozinha, mas fundida comigo de forma harmônica. Continuamos sendo notas diferentes, agradáveis de se escutar sozinhas, mas formando uma harmonia mais gostosa em conjunto. Mesmo porque é muito absurdo querer inventar um tipo de relacionamento que encaixe em todo mundo, tipo um cara inventa um livro de regras “um namoro é isso” e todo mundo tem que fazer igual.. por isso não dá certo, “cada um cada um” como já disse o sábio, e cada casal, cada casal. Com as próprias regras. Parágrafo gigante, que se foda.